A recente onda de crimes bárbaros em 2026, como o caso de Itumbiara (GO) e o da estudante morta por um "admirador", trouxe à tona um fenômeno perigoso: o uso de tragédias individuais como munição para guerras ideológicas. Para entender o que realmente acontece, precisamos olhar "fora da caixa".
O Gatilho da "Ferida Aberta"
Nenhum crime bárbaro nasce do vazio. No caso de Thales Machado, a traição não foi apenas o fim de um casamento; foi o gatilho em um trauma não elaborado. Quando há uma ferida emocional profunda (muitas vezes vinda da infância), a traição é sentida como uma aniquilação do ego. Sem tratamento psicológico, o indivíduo substitui o processamento da dor pelo controle extremo e, no limite da sanidade, pela destruição total.
A Traição em Contextos de Dependência e Poder
Um ponto crucial ignorado pela mídia é a dinâmica de dependência.
Ao contrário do "Caso Coldplay" (onde ambos eram independentes e o divórcio era a saída lógica), no caso de Itumbiara havia uma teia política: o agressor era genro do prefeito e ocupava um cargo de confiança.
Se a parceira mantém o casamento por status ou conveniência financeira enquanto trai, cria-se uma violência psicológica silenciosa. O parceiro passa a se sentir um "objeto provedor" sendo usado. Isso não justifica o crime, mas explica a pressão insuportável que precede a explosão.
A Máscara do "Investimento Emocional"
Vemos um padrão semelhante no caso da jovem estudante:
O uso de "presentes anônimos" e benefícios aceitos sem clareza de intenções.
Quando uma das partes enxerga a relação como uma transação (eu dou o presente/sustento, você me dá o afeto/fidelidade) e a outra parte aceita o "benefício" sem intenção de cumprir o acordo, o cenário para a tragédia está montado. Quando a "máscara" do provedor ou do admirador cai, surge o monstro do controle ferido.
A Instrumentalização das Vítimas
As redes sociais e a mídia operam em um regime de justiça seletiva:
O Descarte: Figuras como Amber Heard mostram que o apoio a uma mulher dura apenas enquanto ela serve à narrativa. Quando a perversidade do indivíduo aparece, o grupo que a abraçou a descarta para não "sujar" a ideologia.
O Silenciamento: Raramente se discute a violência psicológica contra homens ou como falsas acusações são usadas em disputas de poder, pois isso não "vende" cliques como a narrativa do vilão único.
Conclusão: A Maldade não tem Gênero
A verdadeira posição coerente é aquela que não tem lado, exceto o da verdade factual.
O Executor é culpado: Quem aperta o gatilho é o único responsável pelo ato.
O Contexto é real: Traição, manipulação financeira e uso estratégico do parceiro são formas de abuso emocional que destroem vidas.
Precisamos parar de usar cadáveres para validar ideologias e começar a discutir a saúde mental, a responsabilidade emocional e a ética nas relações. Enquanto a sociedade focar no gênero do agressor e não na raiz da patologia e da dinâmica do casal, continuaremos assistindo a tragédias em "looping".
