Digimon Adventure 02: The Beginning

Digimon Adventure 02: The Beginning se passa em 2012, dois anos após Last Evolution: Kizuna e cerca de 10 anos depois da série Digimon Adventure 02. Os escolhidos agora são jovens adultos, lidando com trabalho, faculdade e responsabilidades.

A trama começa quando surge um novo personagem: Lui Ohwada, que afirma ser o primeiro humano a fazer um desejo a um Digimon, ainda antes de Tai e os demais. Esse desejo teria sido o verdadeiro gatilho para a existência dos Digiescolhidos no mundo inteiro.

A partir daí, o filme reescreve a origem do conceito de “Escolhidos”, ligando tudo ao trauma infantil de Lui e ao Digimon Ukkomon.

Apesar da execução confusa, a mensagem central é simples — e até coerente com Digimon:

a) Desejos não substituem laços reais

Lui, ainda criança, desejou um mundo onde ninguém ficasse sozinho. Ukkomon tentou realizar isso forçando conexões artificiais, transformando pessoas em “Escolhidos” sem que elas realmente estivessem prontas.

O filme critica a ideia de que:

conexões impostas > conexões construídas

Em Digimon, laços verdadeiros sempre nascem de escolha, convivência e crescimento, não de milagres.

b) Crescer significa aceitar dor e solidão

O trauma de Lui vem da perda e do abandono. Ele nunca superou isso e tentou “consertar o mundo” evitando que outros sentissem dor.

O filme diz claramente:

  • Dor faz parte de crescer

  • Não existe amadurecimento sem perda

  • Fugir disso gera estagnação

Essa é a mesma linha temática de Kizuna, mas aqui aplicada de forma menos elegante.

c) Digimon não são soluções mágicas

Ukkomon não é mal, mas é imatura, como uma criança tentando resolver um problema adulto. O filme reforça que Digimon são parceiros — não ferramentas para corrigir a vida humana.

✔️ O que é cânone oficial

  • O filme é oficialmente cânone dentro da linha Adventure.

  • Lui e Ukkomon existem no universo Digimon Adventure.

  • A ideia de que os escolhidos surgiram “em ondas” globais agora faz parte da cronologia oficial.

  • O período pós-Kizuna continua válido.

❌ O que é questionável (ou mal integrado)

Mesmo sendo cânone, vários pontos entram em conflito conceitual com a obra original:

  • A origem dos escolhidos sempre foi ligada ao equilíbrio entre mundos, não a um desejo individual.

  • A série original reforça que o caráter da criança atrai o Digimon, não o contrário.

  • Transformar o fenômeno dos escolhidos em consequência de um trauma pessoal diminui o peso simbólico da narrativa clássica.

Por isso, muitos fãs consideram o filme:

“cânone oficial, mas espiritualmente desalinhado”

Ele não contradiz eventos diretamente, mas enfraquece temas centrais da franquia.


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The Beginning não é desnecessário por ideia, mas por execução e posicionamento.

Ele tenta:

  • ser introspectivo,

  • discutir amadurecimento,

  • expandir o mito dos escolhidos.

Mas falha ao:

  • deslocar o foco dos protagonistas,

  • introduzir um retcon pesado tarde demais,

  • explicar mal suas próprias regras.

No fim, o filme existe, é cânone, mas não acrescenta emocionalmente como Kizuna ou o Adventure original.

Tiago Sousa

Sou Desenvolvedor Web Full-Stack com ênfase em Java, atuando no mercado de TI há 15 anos. Ao longo da carreira, adquiri conhecimentos sólidos e abrangentes em diversas tecnologias.